terça-feira, 1 de março de 2011

uma tribo em mim.


era o vazio incentivando minha impulsividade, minha sensação de poder ter tudo e não saber segurar nada, meu costume dos extremos me fazia querer fazer diferente, gostaria de chegar ao meio termo, mas ainda era um mistério pra mim. Me levantava nas manhãs escaldantes e não encontrava inspiração para que o dia fosse realmente vivo, me deparava com a rotina pura, me via seguindo meus próprios passos, fingia encontrar olhares conhecidos e mesmo assim, os evitava. Olhava ao redor procurando minhas respostas e as encobria de vontade, com a desculpa de que eu estaria muda, muda de mim. Minhas vontades trincavam minhas possibilidades, e eu continuava com medo de errar, me assegurava de que tudo aquilo que vinha de encontro a mim, era tardio, e as palavras doces que saltavam da minha boca omitiam minha diferença, eu era igual aos outros. Impregnada de pensamentos obscuros, continuo caminhando em direção ao desonhecido, temendo que decifrem minhas verdadeiras facetas, distorcendo-as e executando minha essência. Digo que não necessito de você, ó ser infermo pertencente ao mais fundo do meu eu, seu surgimento suja-nos de arrependimentos, mesmo que meu lugar mais lindo pertença a mim e a você também. Agora chovia, e o vazio enchia-me de ecos, continuavam como se nunca mais fosse acabar, diziam-me que a paz existiria em nossas tardes cheirosas de verão, e a chuva lavava-me de gratidão. Ouvi dizer que o outono chegaria e, com ele traria você. Gostaria que agora fosse diferente...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

bagunça, muita.

insuportável sentimento de tortura que não me faz querer errar, vontade absurda de me reencontrar, sinto pulsando o que eu condenava, eu temia ser igual a eles, me sentia um deles. Agora eu peço luz, luz para os nossos caminhos escuros de possibilidades, procuro guarda-las todas em mim, deixo que os erros se prolonguem por menos tempo, me deixando arcar com as consequencias, cedendo acertos. Cesso os impulsos podando-os pela raiz, afasto-me de tudo e não de todos. Aconchego-me aos seus braços quentes e seguros, para que eu nunca mais erre igual. Volto para trás, sentindo saudade das mãos que me acariciavam, e lembro-me das horas descuidadas. Sinto vontade de partir, partir desse mundo que foi meu em momentos. Momentos costurados em mim com agulhas de ilusão. Agarro-me em minhas certezas ao mesmo passo que minha maturidade clama por mim, digo que a tendência é a aproximação. Me aproximo de tudo o que me faz seguir. Transformadas em pernas idependentes, saberei seguir em cima de tropeços, levantando-me e deixando minhas razões sobressaírem. Sinto a nossa diferença e não fecho minhas portas para o mundo, não desistirei de mim. Esquecer dos pensamentos mundanos? Acredito que seja um pedido de socorro.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

um brinde.

eram as pálpebras aveludadas dos seres omissos enchendo meus olhos de vida, me mostrando suas verdades como se fossem as minhas; 'Acordastes com a sensação de que não tivesses mais nada a perder, então, por fim, sua liberdade, muito mais do que sua ousadia'. Eu ouvia atentamente aquela voz que se esguelava saltando pra fora de mim. Meu peito guardava tudo o que eu era e o nada, que já havia se desfeito. Me sentava as janelas e observava a cidade reduzida a pontos de luz, tentando achar razãos para todos aqueles valores substituídos. Eu olhava para o relógio e as horas saltavam como se não houvesse sequência, eu enchergava 23:23 e fazia o meu pedido, eu estava sozinha, como a madrugada. O sono se recusava a me encontrar e eu reagia. Olhava para as folhas em branco e tremia de medo das palavras vomitadas e, mais uma vez, as substituí. Por fim, minha vontade de afetação. Minha inconstância clamava por sensibilidade e um outro alguém. Eu saia a esmo a procura de um sorriso e de um olhar poliglota. Recusava a minha sina de julgar as pessoas. Me sentava junto a mim e me desesperava querendo ver alguém passar antes que o mundo acabesse, em desamor, imundo, sem que nos descobríssemos. Penso que encontro-te em cada página folhada, nas falas desanrranjadas, nos olhares mundanos, e, por completo, quando eu parasse de procurar. Dessa vez, escolho ficar sozinha em frente a minha inocência ambígua de pura humildade, deixando com que a rotina corroa meus sentimentos puros, aumente minhas ambições, impedindo meus ressentimentos de voarem alto. Deixo minhas vontades sobressaírem e algo novo nos separar, para que mais tarde eu saiba dizer-te:'Me despertastes para a vida'. Continuo vivendo em meio ao caos, sabendo encontrar minhas horas de paz. Pisoteio a aspiral colorida por inteira e no final, encontro meu caminho para casa. Brindo aos embriagados de luz e poesia e aos bichos sonhadores de minhas entranhas. Encontro-a às gargalhadas e sinto uma vontade igual. Agora, brindo a nós, medonhos sonhadores. Perdida no tempo, nada mais amanhecia. Me via enjaulada novamente, e pedia para que a noite lavasse minha obscuridade diária. Agora, eu me deito, deixo minhas emoções crescerem, como meus labirintos, cedendo lugar para os omissos, os que entendem da vida.

domingo, 23 de janeiro de 2011

reticências.

Um sorriso pra quem já chorou, enlaço de essencias, pra quem nunca soube o que é solidão. Das coisas mais intrigantes, eu guardo sempre o que me inquieta, compartilho meus sonhos em uma catarse colorida, enfilero minhas vontades em direção ao mundo e me jogo na multidão apreendendo muito mais do que meus olhos podem ver. Procuro luz em tudo o que é possibilidade e o que acho é apenas um fragmento de mim que insiste em não querer amadurecer, insiste na estagnação do presente fétido de sentimentos obscuros, cansados de ser despertados no súbito desmanchar de um sorriso, ou nas mentiraas verdadeiras de alguém que aprende a viver de tudo. Concretizo minha base naqueles que acham que sabem quem eu sou, naqueles que encontram clareza nas minhas ações hiperativas, nas minhas verdades mal feitas esborrachadas em um pedaço de papel e...Penso no vazio interno e o encho de mudanças refletidas do espaço reservado para a mudança da vida. Quando me diziam, e me ditavam aquelas sensações, por mim, nunca mencionadas, eu quis sentir exatamente igual, e agora, eu sei que meu eu, complexado por mínimas limitações tornou-se meu eu vivo, onde meu silêncio aprendeu a dizer muito mais do que minhas palavras presas. Da minha fé, não digo o que esperam ouvir, digo que sei no que acredito e, cegamente, confio nas convicções de alguém maior. É das minhas verdades em relação a Ele que prefiro guardar, mesmo querendo gritar e me esvair quando me chega algo aos ouvidos - Superficialidade mundana. E em um dia quase vivido, cheio das expectativas reservadas para cada um de nós, penso e insisto no vai e vem do meu ser, principalmente no que está guardado.

"Tua Caminhada"

tua caminhada ainda não terminou....
a realidade te acolhe
dizendo que pela frente
o horizonte da vida necessita
de tuas palavras
e do teu silêncio.

se amanhã sentires saudades,
lembra-te da fantasia e
sonha com tua próxima vitória.
vitória que todas as armas do mundo
jamais conseguirão obter,
porque é uma vitória que surge da paz
e não do ressentimento.

é certo que irás encontrar situações
tempestuosas novamente,
mas haverá de ver sempre
o lado bom da chuva que cai
e não a faceta do raio que destrói.

tu és jovem.
atender a quem te chama é belo,
lutar por quem te rejeita
é quase chegar a perfeição.
a juventude precisa de sonhos
e se nutrir de lembranças,
assim como o leito dos rios
precisa da água que rola
e o coração necessita de afeto.

não faças do amanhã
o sinônimo de nunca,
nem o ontem te seja o mesmo
que nunca mais.
teus passos ficaram.
olhes para trás...
mas vá em frente
pois há muitos que precisam
que chegues para poderem seguir-te.

Charles Chaplin

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

eram eles, os degraus...


eram as noites suntuosas que me faziam descer a escada da alforria para que eu me sentisse livre de tudo, inclusive de mim mesma. Descia para o chão nunca pisado, onde minhas mãos pudessem tocar e sentir a simplicidade de cada homem, e que no meu caminhar, meus pés descalços soubessem que viria escuridão, mas logo adiante a luz que eu sempre soube brilhar. Era importante demais estar em contanto com a garra de querer vencer todos os dias. Me via cheia de sonhos e expectativas e com uma vontade insaciável de tentar por mim mesma. Almejava uma saída, mas que quando eu voltasse, tudo estaria do mesmo modo, do jeito que eu deixei, sem que ninguém fizesse por mim. Não deixaria mais com que meu passado virasse poeira, com o que eu houvesse formado fosse perdido por momentos de prazer. Diria que aquelas ações não traçadas, agora me causam desconforto, impregnam minha carne e fazem meu coração jorrar indelicadezas, e assim, quase sinto minha alma calejar de conformismo, mas ainda não, percebo que há muito mais. Não me vejo obrigada a nadar no mar de lamentações, apenas continuo querendo as escadas que me fazem acordar de um sono mal dormido. Sinto que a missão de olhar para dentro e expulsar a dor do meu corpo e da minha mente ainda faz parte de mim e de todos os outros, indo e vindo no dançar de um pisca. Continuo descendo e ouvindo as deixas daquilo que já me perteceu, caindo sobre os degraus, e ainda me sinto viva e cheia de fé. Me questiono se são as futilidades de um quase ser, mas não, deleito-me das minhas verdades precavidas e concluo que é apenas maturidade. Sigo os passos dos meus, tropeço nas incertezas dos seus e guiam-me em direção aos nossos. Ainda é noite, e o que me resta são degraus infinitos para descer.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010


os dias continuavam a serem feitos e a minha preocupação já era outra. Questionamentos envolvidos de uma quase resposta já não era mais válida, não estava mais a procura de onde me esconder, quando havia contato, o medo me via e logo em seguida, se desfazia. Eu conseguia encontrar motivos em tudo que lia, comecei a achar que o otimismo havia me reencontrado. Mas hoje, quando acordei, senti vontade de destreza, aperto, conforto, deixei o dia seguir e minhas ações delinearem meus tropeços e a minha reerguida consumista. Agora, antes de dormir, me sinto amarrada as minhas próprias vontades, cheia de vácuos, de respostas sem perguntas. Convenço-me de que a luz falsa do meu quarto não me faz querer seguir, apenas mergulhar ao fundo infinito do meu ser, deixando com que as palavras me traduzam os limites pelos seres, imensamente, desenhados. Descubro que as letras ali criadas para olhos fartos de luta e dor, só alimentam minhas vontades mimadas de sempre querer mais, que seja para me esconder do medo que, momentanemente, desaparecia, ou para ousar sempre que me pedissem mais do que eu podia mostrar. Ser eu sempre que eu quisesse ser, sem me custar meus gestos ocultos, poder mostrar meu sorriso inocente sem perigar uma cobraça tardia, ver o que sempre quis ver, sem ter que me calar ou ouvir o que pudesse me decepcionar. Não tenho dúvida do meu otimismo diário, apenas insisto em trombar com meus questionamentos estagnados, com minhas perguntas respondidas e minha insistência repugnante. Vivo infectada pela insistência, mesmo depois de provar do gosto amargo da frustração e desilusão, mas também, da superação. Amanhã, saberei descrever minha alegria, meus apegos, minhas vontades e até minhas infelicidades. Um dia vivido é um dia inundado de contradições, onde somos obrigados a sentir o coração pulsar dor e ao mesmo tempo sorrir.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

De um jeito encantado, de ponta a ponta, a verdade erguida em um pedaço de pano branco. Os retalhos que, ainda não pertence a ele, unindo-se com o objetivo de tecer paz. Um momento em que apenas almejamos paz, paz de espírito, de coração e, ainda mais, nas ações que nos pega no momento em que estamos para errar. Sinto que, mesmo acertando, daqui há um tempo, será tarde demais. Agarro-me em minhas expectativas e luto por aquilo que acho justo, nem que por isso, eu acabe sendo tachada de louca.

'Se eu fosse acreditar mesmo em tudo o que penso, ficaria louco.'
Mario Quintana.